Circuito Liberdade abre Ano JK com ações culturais e educativas em BH e Diamantina
Exposições, debates, ações educativas, cinema e espetáculos compõem o projeto que ao longo de 2026 celebra o legado nos 50 anos de morte de Juscelino Kubitschek
Com uma ampla agenda cultural, artística e educativa, o Circuito Liberdade lançou o Ano JK, com ações previstas até setembro deste ano. O projeto ressalta a contribuição de Juscelino Kubitschek para a modernização do país, por ocasião dos 50 anos de sua morte. A iniciativa é fruto de articulação da Fundação Clóvis Salgado (FCS), gestora do Circuito, com o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais e Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
As atividades, que se estendem de março até setembro, abrangem exposições, palestras, concursos literários, filmes e ações educativas. A programação ocorre no Palácio da Liberdade, no Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, na Biblioteca Pública Estadual, no Arquivo Público Mineiro, na Casa Fiat de Cultura, no Teatro Feluma e no Palácio das Artes, que completa 55 anos em 2026 e foi idealizado por JK. Um dos destaques é o encerramento da programação com a estreia da ópera “Chica”, em Diamantina, no dia 12/09. A encenação está sendo desenvolvida pelos corpos artísticos da FCS.
JK nas telas — A Fundação Clóvis Salgado complementa a programação com uma mostra de cinema, realizada no Cine Humberto Mauro. A mostra “JK e o sonho moderno” reúne filmes que, em diferentes registros, tratam das relações entre modernização, formação urbana e experiência cotidiana. Em maio, de sexta-feira (29) a domingo (31), o público assiste gratuitamente aos filmes “Meu Tio”, de Jacques Tati; “Os Anos JK – Uma Trajetória Política”, de Silvio Tendler, e “JK, o Futuro Chamado ao Presente”. Os filmes tratam, respectivamente, do impacto da modernização no dia a dia das pessoas; do contexto histórico em que Kubitschek empreende seu desenvolvimentismo e do aparente esgotamento desse projeto no Brasil contemporâneo.
No sábado (28/03), das 15h às 16h, haverá no Palácio da Liberdade a visita mediada temática “JK: mineiridade e modernismo”. A proposta é refletir sobre como a identidade mineira marcada por tradição política, vocação conciliadora e forte simbologia histórica dialoga com o impulso modernizador representado por JK. O educativo do museu convida o público a compreender o modernismo não apenas como linguagem estética, mas como projeto de Estado, que articulou arquitetura, urbanismo e cultura como instrumentos de transformação social.
JK e Niemeyer — Em abril, o Palácio das Artes lança livro sobre a história da instituição, intimamente relacionada com as iniciativas de JK. O maior complexo cultural do estado tem projeto original de Oscar Niemeyer, a convite de Juscelino quando prefeito de BH, nos anos 1940. O arquiteto é responsável pela estética que sintetizou as gestões do político em Minas Gerais e como presidente do Brasil. Ainda celebrando os 55 anos do Palácio das Artes, será aberta uma exposição com réplicas dos croquis de Niemeyer, evidenciando o diálogo entre arquitetura, modernismo e política cultural.
Patrimônio — O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) integra a programação, celebrando também seus 55 anos de história. Nos dias 1º e 2 de junho, o Instituto realizará debates sobre como o espírito modernista se relacionou com a política e a identidade de Minas Gerais. O ciclo toma o Conjunto Moderno da Pampulha como referência das discussões. Estará aberta, ainda, dos dias 2 a 30 do mesmo mês, a exposição “Minas Moderna: Patrimônio e Futuro”, voltada à documentação, conservação e valorização da arquitetura e da paisagem cultural do século XX no estado.
Homenagens e solenidades — O Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG) promoverá, em agosto, programação que também celebra Kubitschek. Nos dias 6 e 13/08, serão realizadas homenagens ao ex-presidente na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e na Câmara Municipal de Belo Horizonte, respectivamente. Na sede do instituto, a agenda inclui a palestra “JK: O Médico da Força Pública Mineira”, no dia 17; a exibição de documentário seguida de debate, no dia 18; e um seminário acadêmico em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), entre os dias 19 e 21/08. A programação se encerra no dia 23/08, com missa na Catedral Cristo Rei, em memória do político.
História documentada — De 10/08 a 10/09, a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, por meio de sua Hemeroteca Histórica, promoverá a exposição “JK: muito além de seu tempo”, com o objetivo de divulgar e valorizar a trajetória do político, preservada no rico acervo de jornais e revistas do setor. Por meio de publicações originais, o público poderá acompanhar diferentes momentos da vida, da carreira de JK e compreender como jornais e revistas retrataram suas ações, seu legado e sua influência no desenvolvimento do país. A exposição será realizada no hall de entrada da Hemeroteca Histórica, no 3º andar da instituição.
Já no Arquivo Público Mineiro, de junho a setembro, serão realizadas visitas guiadas à exposição de documentos dedicada à trajetória política de Kubitschek. A ênfase estará no projeto de construção de Brasília, como marco de modernização nacional. Por meio de documentos textuais, iconográficos e cartográficos que evidenciam o planejamento, os desafios e a execução da nova capital, o público tem acesso a um panorama de um dos mais importantes momentos na História do Brasil. A mostra inclui, ainda, correspondências oficiais, discursos, fotografias e peças de divulgação da época.
A Casa Fiat de Cultura também integra a programação com uma exposição prevista para julho de 2026, estruturada a partir das comemorações dos 50 anos da Fiat no Brasil e dos 20 anos da própria instituição. O primeiro núcleo expositivo abordará o projeto desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, que impulsionou o processo de industrialização no país, com destaque para o setor automobilístico como um dos eixos da modernização econômica. A partir dessa abordagem, a exposição propõe uma leitura que conecta cultura, indústria e transformação social.
Encerramento do ANO JK — Em 12/09, data de nascimento de Juscelino Kubitschek e da tradicional entrega da “Medalha JK”, a Fundação Clóvis Salgado realizará o encerramento do Ano JK com a estreia da ópera inédita “Chica”, em Diamantina, cidade natal do político. A obra narra a vida de Chica da Silva, mulher negra que nasceu escravizada, foi alforriada e conquistou poder e influência. Trilhando uma trajetória extremamente incomum em uma sociedade escravocrata, Chica da Silva se tornou símbolo da emancipação negra no Brasil. Passagens centrais de sua vida se misturam à própria história de Diamantina. A montagem da ópera está sendo concebida e será executada pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico e Cia. de Dança do Palácio das Artes — corpos artísticos da FCS.