Jun 02 2026

Tapetes devocionais cristãos e caminhada urbana com tema da diversidade espiritual marcam Corpus Christi no Circuito Liberdade

Propostos pela Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, os tapetes se estendem pela Avenida Afonso Pena até a Igreja de São José; indo além do cristianismo, o percurso urbano “Travessias da Liberdade” aborda a religiosidade de diferentes matrizes culturais

Para quem fica em Belo Horizonte durante o feriado de Corpus Christi, duas atrações no Circuito Liberdade trazem a espiritualidade que marca a data. Às 9h30 de quarta-feira (3/6), a caaminhada “Travessias da Liberdade” percorre cinco integrantes do complexo, da Praça da Liberdade até a Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, para tratar do saber religioso em diferentes tradições. Já na quinta (4/6), a prática centenária dos tapetes devocionais ocupa parte da Avenida Afonso Pena, da Boa Viagem até a Igreja de São José, em um mutirão colaborativo.

Reconhecidos como Patrimônio Mundial Cultural pela UNESCO em 1980, os tapetes devocionais têm raízes portuguesas e atingiram seu ápice entre os séculos XVIII e XIX. Nesse período, o barroco mineiro também encontrava-se em plena expressão e tinha em Ouro Preto seu local mais fecundo. Essencialmente cristão, o costume é reativado anualmente em solo belo-horizontino, sob comando da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, que reúne centenas de pessoas para uma construção coletiva, envolvida por outros ritos religiosos.

Os tapetes de Corpus Christi carregam densidade artística, com cenas e cores vibrantes, feitas de serragem colorida, areia, flores, borra de café e até cascas de ovos. Diversas passagens bíblicas e símbolos cristãos serão representados, para celebrar a Eucaristia, rito em que o corpo e o sangue de Cristo são consagrados no pão e no vinho. Maior celebração da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, os tapetes devocionais ficam restritos à faixa lateral da avenida e não interrompem o tráfego na via.

 

Travessia da Liberdade — Integrando a programação do 3º Congresso de Cultura e Turismo Sustentável, que em 2026 se dedica ao universo do sagrado, a caminhada “Travessia da Liberdade” apresenta a religiosidade impressa no espaço urbano e nos museus do Circuito Liberdade, agregando análise arquitetônica, arte e memória urbana. A experiência será conduzida pelo coordenador-executivo do complexo, Lucas Amorim, e começa na Casa Fiat de Cultura, na Capela de Sant’Ana, cuja pedra fundamental foi lançada em 26 de julho de 1957, Dia de Sant’Ana, com a presença do então presidente da República, Juscelino Kubitschek.

A caminhada segue pelo Espaço do Conhecimento UFMG, com sua exposição “Cosmologias”, que apresenta as narrativas de criação do mundo a partir da ciência e de povos originários, como ameríndios e africanos. Adiante, o público chega ao Centro de Arte Popular Cemig, onde será apresentada a fé e a arte populares de Minas Gerais. A caminhada chega, então, ao antigo Largo do Rosário, no cruzamento das ruas da Bahia e Timbiras, no bairro Lourdes. 

Patrimônio cultural imaterial de Belo Horizonte, o Largo do Rosário era composto pela Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, de 1819; um cemitério que ficava ao lado, construído em 1811; além de uma comunidade unida em torno da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Arraial do Curral del-Rei. Ali, o público se conectará ao passado da cidade e sua supressão forçada pela modernização.

Antes de se encerrar,  na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, “Travessia da Liberdade”  passa pelo Museu Mineiro, onde, por meio do acervo do local, serão propostas reflexões sobre o barroco, patrimônio e espiritualidade na formação simbólica da cultura mineira. 

This website uses cookies to ensure it's necessary functionalities, improve your experience and analyze our traffic. By navigating through our website, you give us your consent to our Privacy Policy and to our usage of cookies.